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Software livre para Inovação

Para Marcelo Zuffo, tecnologias abertas podem auxiliar os processos inovativos
13/08/2013 19:25
Software livre para Inovação

Marcelo Zuffo discutiu inovação no Consegi

"Inovação é algo como a ética. Todo mundo acha que tem, é algo necessário, mas não sabemos definir bem o que é", declarou o professor do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Zuffo, ao iniciar os trabalhos da mesa que discutiu o panorama das tecnologias abertas e inovação no Brasil, no Consegi.

De acordo com Zuffo, algumas ideias inovadoras nascem como as mais simples possíveis. "Inovação é pegar uma ideia, cuidá-la muito bem e imaginar o que ela pode transformar na vida das pessoas", afirma, citando em seguida Thomas Edson, responsável pelo desenvolvimento de um sistema de iluminação pública baseado na lâmpada. "A grande inovação desse invento foi o que ele desencadeou e não apenas a lâmpada em si", pontuou.

Por isso, o professor acredita que o desenvolvimento inovativo no Brasil passa, necessariamente, por uma estruturação de políticas públicas capazes de sustentar a inovação. Uma estrutura capaz de garantir que os softwares e os hardwares produzidos sejam transformadores. "Pensem na qualidade, na capacidade de mudança que essa inovação pode trazer", concluiu.

Todos os computadores do mundo terão a inteligência de um único ser humano

Nesse contexto, de valorização de projetos inovadores, o software livre tem um papel importante. Com o aumento vertiginoso do número de processadores - no ano passado apenas um grande fornecedor desses componentes produziu 25 bilhões de processadores, Marcelo Zuffo acredita que haverá um dia em que todos os computadores existentes no mundo terão a inteligência de um único ser humano. A expectativa, segundo ele, é que isso ocorra em 2022. "Isso tudo baseado em programação e o único caminho pra isso é o software livre", completou.

Derek Keats, vice-reitor da Universidade Witwatersrand, em Johannesburgo, falou de como as tecnologias abertas diminuem as barreiras e os caminhos para inovação. Em sua fala, o sul-africano lançou à plateia um questionamento instigante: "Vamos ser inovadores ou ser escravos dos softwares proprietários?", questionou. Para ele, precisamos de instituições que aceitem software livre e desenvolvam inovação a partir dos padrões abertos. "Se estivermos trabalhando com software livre, qualquer pessoa pode se tornar inovadora. Pela sua própria estrutura, de permissões e de custo, o software livre permite a capitalização de ideias na medida em que facilita a produção de inovação a partir da simplificação de processos de start-up de projetos inovadores", observou.

Marcos Mazoni coordenou o debate

Para a Vice-Presidente do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento na EMC, Karin Breitman, o Brasil necessita de algumas mudanças para se transformar no país da inovação. Dentre elas, Karin destaca a pesquisa aberta, plataformas abertas capazes de atender milhões de programadores e o fomento a formação de um ecossistema de interação entre universidade e empresas. 

Outro participante da mesa, o Secretário Executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luis Antonio Elias, apresentou dados do governo brasileiro que demonstram os esforços para se estruturar uma política nacional de inovação. Dentre os dados apresentados, Elias falou da meta de aumentar o investimento empresarial em P&D para 0,90 do PIB (Produto Interno Bruto), além de elevar expressivamente os recursos destinados a apoiar o desenvolvimento tecnológico e a inovação. Na sua visão, investir em tecnologia é investir em conhecimento e não custo. "Tecnologia também é uma ferramenta de inclusão social, capaz de corrigir nossas assimetrias sociais" pontuou.

Estiveram também presentes na mesa, o Diretor Presidente do Serpro, Marcos Mazoni, que coordenou o debate, e a Ph.D. em Desenvolvimento Industrial e Política de Ciência e Tecnologia, do gabinete da presidência do BNDES, Helena Lastres. 

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